Morte de Judas
Teatro do Bairro Alto - Cornucópia
Produção Teatro da Cornucópia, com texto de Paul Claudel, concepção de Cristina Reis, Dinarte Branco e Luis Miguel Cintra, tradução de Regina Guimarães e interpretação de Dinarte Branco (Judas) e Luis Miguel Cintra (voz).
"Morte de Judas" é como uma carta do Tarot. Ao lado da cruz, imagem simbólica de uma História feita à luz da ideia de um Deus que se fez carne, num curto monólogo, Claudel mostra uma “carta” que não é a da cruz de Cristo, com outro madeiro, a figueira, onde Judas, o Apóstolo para sempre associado ao Mal, à Traição e ao Demónio, depois de trair Cristo, se enforcou. Faz o exercício de lhe dar voz, de, em oposição aos textos sagrados, contar a Morte de Cristo pelo ponto de vista de quem desencadeou toda a Paixão. Ao contrário dos Evangelhos que mitificam a narrativa dos acontecimentos, Judas fala do lugar do Homem, fala enforcado, e resgata a sua condenação moral com um ponto de vista exemplarmente dialéctico em que demonstra como a sua traição serviu Deus. A figueira, árvore viva e de ramos em todas as direcções torna-se no símbolo da crítica, da lucidez, do materialismo, do próprio "livre arbítrio", do próprio Homem, e opõe-se para sempre à cruz, madeira já morta, indicadora do caminho da salvação. É Dinarte Branco quem interpretará essa fala do enforcado. Trabalhou o monólogo em diálogo com Luis Miguel Cintra e Cristina Reis. O resultado é um estranho e incómodo "objecto", o monumento a que o Mal não tem direito. Essa estátua ali fica para sempre e afirma, por outras palavras a frase popular: "Deus escreve direito por linhas tortas". E que é o Homem quem trabalha para Deus.
Reservas: 213961515
Ter - Sab: 21h30; Dom: 16h
Em cena desde 19 de Janeiro de 2012 até 30 de Janeiro de 2012 - Lisboa